A matéria da revista Veja, “Os novos ricos da Lava Jato”, conta a história de advogados que “estão ganhando fortunas” para defender empresários e políticos acusados de corrupção, produzindo “uma nova casta de milionários”.

Diante da matéria, o advogado Adriano Bretas, que ilustra a capa da publicação, emitiu uma nota de esclarecimento. “Efetivamente fui entrevistado, mas o enfoque original da matéria era diametralmente oposto ao que foi publicado. Tratava-se de uma reportagem sobre as trajetórias profissionais e históricos de vida de advogados atuantes na operação Lava Jato. Infelizmente, este enfoque não foi o publicado”, inicia o esclarecimento. “Jamais adentrei em temas que envolvem sigilo profissional, como a questão de honorários. Com relação ao meu escritório, posso afirmar que os valores lá mencionados se afastam totalmente da realidade; são especulativos e superestimados. Aceitei tirar algumas fotos para a Revista. Depois de algumas fotografias, na biblioteca do escritório, acendi um charuto, como faço habitualmente, no final do expediente. Nesse contexto, o fotógrafo captou, num momento de descontração, algumas imagens que, infelizmente, acabaram por ilustrar a matéria”, conta.

“Lamento o enfoque materialista da reportagem que, além de desprezar todos os atributos técnicos que possuem os advogados, faz parecer falsamente à sociedade que esses profissionais têm boa vida e se enriquecem com o dinheiro do crime. Lamento ainda que minha foto e meu nome tenham sido utilizados com esse intento. Esse discurso maldoso é cada vez mais repetido por aqueles que fingem não entender a difícil e indispensável missão de defender alguém com zelo, responsabilidade e ética. Esclareço, finalmente, que, entre outras incongruências contidas na matéria, meu escritório não é “gigante”, não sou rico, nem filho único”, finaliza o comunicado.

Os outros nomes citados na reportagem também se pronunciaram, como o advogado Roberto Podval, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, Alberto Zacharias Toron e Kakay. Para Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo, a matéria é “um desserviço ao direito e à Justiça”. “No que diz respeito a estes advogados, o texto mente, exagera e distorce — ao fantasiar uma realidade que não existe. Os valores citados não correspondem à realidade e servem apenas para gerar um clima de ódio e perseguição à nossa profissão. O que a reportagem parece ter conseguido, isto sim, foi criminalizar o exercício de uma profissão que tão bem faz à democracia”, diz os advogados.

O advogado Kakay, também em nota, afirmou que foi procurado pela revista e disse que alertou a reportagem que não falaria sobre honorários. O advogado, especialmente o criminal, sabe que é um dever não expor o cliente. “Vejo, perplexo, que a matéria é exatamente sobre valores de honorários com números que parecem ter saído da cartola de um mágico ou de um ilusionista. A matéria como posta serve para reforçar um estigma contra os advogados criminais. Há neste momento punitivo pelo qual passamos uma clara tentativa de criminalizar a advocacia, especialmente a criminal, com evidente prejuízo para toda a classe dos advogados e para nossos clientes e, porquê não, para a sociedade como um todo”, diz Kakay.

Alberto Zacharias Toron afirmou que não foi entrevistado e nem foi procurado pela repórter da Veja. “Assim, mais que surpreendente, foi verdadeiramente repugnante ver meu nome colocado em matéria puramente especulativa e irresponsável por apregoar dados sem qualquer verificação e, o que é pior, inverídicos”, destaca.

Fonte: Bahia Notícias

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA