Egito condena menino de 4 anos à prisão perpétua por um crime que ele supostamente teria cometido quando tinha 1 ano e 4 meses. Depois da repercussão do caso, tribunal militar do país foi forçado a voltar atrás e admitir erro na condenação, embora não tenha ainda divulgado o que acontecerá com a criança

O Exército egípcio foi obrigado a admitir um erro que um tribunal militar do país cometeu ao condenar um menino de quatro anos à prisão perpétua por assassinato. As informações são da BBC, CNN e NYTime. Segundo o coronel Mohammed Samir, porta-voz das Forças Armadas egípcias, a corte deveria ter sentenciado um jovem de 16 anos com o mesmo nome da criança.

Ahmed Mansour Qurani Ali foi condenado na semana passada, juntamente com outras 115 pessoas, por suposta ligação com protestos organizados em 2014 por seguidores da entidade islamita Irmandade Muçulmana. O advogado do garoto apresentou documentos que comprovam que o menino era um bebê de um ano à época dos fatos.

Em publicação no Facebook, o coronel disse que Ahmed Mansour Qurani Sharara, de 16 anos, deveria ter sido condenado, e não Ahmed Mansour Qurani Ali.
Ainda não estava claro o que aconteceria com a criança após o reconhecimento do erro.

O advogado do menino disse que o nome dele foi incluído em lista de suspeitos por engano – e que oficiais de Justiça não checaram sua certidão de nascimento para verificar a idade à época do suposto crime. Ele foi consequentemente condenado por quatro homicídios, oito tentativas de homicídio e vandalismo contra bens públicos.

Em 2014, a ONU alertou que o sistema judicial do Egito não oferecia garantias de julgamentos justos e que muitos processos eram permeados por irregularidades.
No mesmo ano, a polícia fez a primeira busca por Ahmed , e quando se deu conta de que ele era um bebê, deteve seu pai, que ficou preso durante quatro meses.
Justiça

A Justiça do Egito está sob críticas constantes desde o golpe militar que derrubou o presidente Mohammed Morsi em 2013, o que motivou protestos em massa pelo país. Morsi, membro da Irmandade Muçulmana, havia sido eleito nas primeiras eleições democráticas no Egito desde a deposição do ditador Hosni Mubarak, em 2011. A escolha desagradou setores seculares, e Morsi acabou derrubado do poder em um golpe de Estado.

Desde então, mais de 1.000 pessoas foram mortas e 40 mil teriam sido presas em ações de repressão a dissidentes.

Fonte: Pragmatismo Político

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